segunda-feira, 19 de março de 2012

Aos Meus

Não me surpreende nada que os amigos signifiquem tanto em minha vida. Cada um, a sua maneira, são essenciais para que eu continue, apesar dos pesares todos. E eu faço questão de dizer isso, seja através de textos ou de qualquer outra forma. Eu sinto necessidade de comunicar o quanto cada um é importante.

Eu li certa vez, que um talo de girassol não suporta o peso da flor. Estranho, né? Logo o talo, que está ali pra dar suporte e firmeza, não aguenta a flor. Ele, que é do mesmo gene, da mesma família... Ele não suporta o peso da flor. Pensando nisso, acho que podemos usar como metáfora pra vida.

Às vezes, pra quem está mais próximo, pra quem tem ligação sanguínea conosco, aqueles que foram criados para nos dar suporte, eles não conseguem a aproximação que os amigos conseguem. Talvez as mães vão dizer ‘sou amiga da minha filha’, mas todos nós sabemos o quanto é importante se sentir amado por alguém, um alguém que não tem motivos óbvios para nos amar, respeitar, ajudar, suportar, mas, mesmo assim, o fazem.

Eu leio esses textos clichês sobre a importância da amizade, o entendimento dos ciclos, os possíveis desencontros, as mudanças de interesses, as brigas e nada me faz mudar de pensamento. Parte do que eu sou, devo a cada um dos meus amigos que me ajudaram muito, quando nada parecia dar certo. Ou, quando tudo era muito bom e brindávamos à vida, aos amores, ao dinheiro, e a todas as coisas boas que poderíamos ter.

Talvez daqui quatro ou cincomeses, os e-mails não sejam tão rotineiros, as ligações menos ainda, as visitas se tornem mais eventuais, mas, ainda assim, as marcas que cada um deixou em mim vão ficar. A maneira de falar sorrindo, a maneira de enxergar a vida, a forma de acreditar que o amanhã é logo ali. Tudo isso, independente de qualquer coisa, vai permanecer. E são por todas essas marcas que eu os julgo preciosos, amados, queridos, bússolas, presentes de Deus. Obrigada por mais um ano. Obrigada por me fazerem acreditar na beleza da vida, no amor das pessoas e, sobretudo: obrigada por acreditarem em mim.

Com todo amor de sempre,

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A vida dos Outros

Fico chocada com o número de pessoas que gostam de se intrometer na vida das outras. Gostam de opinar sobre o carro novo que a vizinha comprou, sobre o amigo da vizinha que só aparece quando o marido dela não está, sobre o fato da vizinha estar saindo em horários alternativos. A ex melhor amiga parece que está bem de vida, trocou o namorado que cheirava a leite por um de meia idade, que já sabe o que quer.
A menina do consultório médico frequenta a ‘The Week’, vejam só. E o médico, chefe da menina do consultório, não usa mais aliança, só ficou a marca no dedo, causada pelo sol castigador do Rio de Janeiro. A menina que freqüentava a igreja você vê no Steak House da esquina conversando com aquela gente, aquela gente que você sabe, né? Não presta, nenhum deles presta. Ela era tão direita, como mudou assim?
Você não entende como pode ter tanta gente errada numa cidade só, né? Tanta gente que era do bem e agora está aí, perdido nesse mundão. Tanta gente que era padrão, tanta gente boa, gente honesta.
Honestamente? Te explico o que aconteceu, querida. Todos eles descobriram que ser feliz é o melhor remédio. Decidiram viver. Eles resolveram que não vão dar satisfação da própria vida pra ninguém. Eles se deram conta de que no fim do mês, quando a mensalidade do colégio das crianças chegar ou quando o plano de saúde vencer, você não vai querer participar com tanta veemência assim, não é mesmo? E a melhor de todas as descobertas que eles fizeram e você não, é que a vida é muito curta, não dá para viver mais de uma. Então decidiram que viver intensamente a própria vida é, seguramente, a melhor maneira de se viver.

sábado, 6 de novembro de 2010

Já doeu uma vez

Há uma porção de coisas que não são sabidas. Você precisaria conhecer todas elas para entender porque tudo se passa assim, tão depressa. Seria preciso ultrapassar a superfície do visível, seria preciso ultrapassar todos os limites do que para mim é aceitável. Eu desenharia cada gesto, recolocaria cada sentimento no lugar, só para você perceber, mas é dolorido demais. Eu deixei que tudo fosse embora, permiti que tudo fosse indo junto aos emaranhados dos dias, das semanas, dos meses. É difícil assim porque já doeu uma vez.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Segunda-feira

Acho difícil acordar em uma segunda-feira. Nosso ritmo flui sempre mais devagar, parece que não tivemos o tempo necessário para dormir, ver os familiares, amigos, para descansar. Vai entender, não é? Até mesmo eu, que costumo dizer que a vida não é o lugar ideal para descanso, me pego cheia de preguiça durante as segundas-feiras. Se pecado tivesse tamanho, diria que preguiça das segundas é um dos menores deles. Então, hoje, num dos dias mais arrastados da semana, proponho um desafio. Prometo que não é repassar o e-mail para as pessoas mais preguiçosas, nada disso. É mais simples e acredito que mais verdadeiro também. No dia em que a maioria das pessoas detesta levantar cedo e fazer todas aquelas tarefas... No dia em que tudo se torna mais difícil porque o segundo dia da semana tem cara de primeiro, proponho uma ligação, um e-mail, um abraço, um pensamento... Envie da forma mais intensa que puder as suas vibrações de ‘ axé’ para aqueles que fazem você prosseguir, mesmo sendo segunda-feira. Aqueles que tiram um sorriso do seu rosto, mesmo depois de um fim de semana sem descansos. Aquele que, sem você perceber, se tornou essencial nos sete dias da semana, ainda mais se for um dia assim, como hoje.

'E que seja permanente essa vontade de ir além daquilo que me espera. '

domingo, 15 de agosto de 2010

Amigos?

Tenho dias, tais como os últimos, nos quais desconfio do meu papel na vida das pessoas. Desconfio que posso estar servindo apenas para tapar buracos, quebrar um galho enquanto não aparece alguém menos genioso, mais solícito e agradável. As garantias de fato não existem quando se trata de relacionamentos interpessoais, pois não somos como eletrodomésticos comprados nas Casas Bahia. Mas, se for pra ser amigo, que seja por completo.
Somos seres complexos demais, limitados demais também. Não vamos conseguir entrar com processos jurídicos porque a conexão com aqueles que considerávamos amigos falhou. Mas existem sinais e são esses sinais que movem todas as coisas, são eles que não podem falhar, não deve haver ruído nessa comunicação.
Essas coisas de tentar desvendar o que as outras pessoas pensam, tentar achar o que existe de escondido, o que possa ter ficado subentendido... É a forma mais desonesta de tentar levar um relacionamento, seja qual for. Não somos jogos de lógica e raciocínio comprados em sites na internet. Merecemos mais do que um amontoado de suposições e desconfianças. Merecemos mais do que sermos colocados em prateleiras com etiquetas ‘confiáveis, mas infantis’, ‘confiáveis, mas estourados’, ‘confiáveis, mas...’. Ou confia, ou não confia, cacete.
Todos nós somos repletos de coisas que precisamos aperfeiçoar, rever, crescer, mas isso não deveria atrapalhar e decepcionar tanto, já que defeito é ‘pré-requisito’ de todo ser humano. Escolho com calma todos aqueles que quero ter comigo durante muito tempo e, depois de escolhidos, não vejo motivos para tratar todos como ‘ex-drogados’ prestes a ter uma recaída.
As pessoas são passíveis a erros e todas elas, sem exceção, vão errar um dia. Erro maior, ao meu ver, são as pessoas que tentam achar coisa aonde não tem e vêem isso como sinal de vivência e maturidade. Não passa de uma fragilidade sem igual, uma maneira clara de dizer que não está preparado para relacionamentos, para erros seja os meus, ou seus. Pode parecer extremista demais, contudo, se for pra ser rodeado de mistérios e de inseguranças, não chame de amizade. Quando perguntarem fale que é um conhecido que te faz rir às vezes. Parece besteira, mas é isso: um conhecido que te faz rir às vezes.

Por Dara Bandeira

domingo, 13 de junho de 2010

Metáfora dos dias

Depois de muito tempo algo precisava ser dito, precisava sair. Entre as metáforas dos dias, as palavras como linhas tortas, o meu medo, a minha loucura, minha firmeza, talvez frieza, meu não.
Entre as dissoluções do que era antigo, me surge o novo, incrivelmente destorcido, e, como em uma repetição... Atemorizador, impalpável, sofrido, calado.

Metáfora dos dias, Por Dara Bandeira

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A fotografia

E com todo lirismo, com toda poesia, com toda fragmentação do eu, do ego, Teresa olhava aficionada aquela fotografia. Ela viajava por entre os traços e, cada enigmática deflagração da luz, tornara-se o mundo inteiro para ela. Teresa via, revia e remontava aqueles momentos. E aquela infância memorável, aquele sorriso ingênuo, não posado, espontâneo, toma novamente do rosto crescido da menina, da eterna doce menina.

A fotografia, por Dara Bandeira