quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dança triste

Fiquei da janela vendo-o ir, ele caminhava como quem dança uma música triste, me pareceu um tanto abatido, mas não mais do que eu. Eu fiquei ali naquela janela e o meu coração foi indo com ele, cada pedacinho que ele trouxe, levou de volta consigo. Chamaria de injustiça em outros tempos, hoje vejo como o fluxo natural da vida, pessoas vêm, mas não se alegre tanto, pois elas logo se vão, sem motivo, sem porquê. E eu ainda que parada, estática, dançava com ele descompassada, a mesma aquela canção triste.

Por Dara Bandeira

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Felicidade

Acho que de fato tenho aprendido a encontrar a felicidade. Não em coisas, muito menos nas pessoas, mas um tanto em mim e em tudo que tenho a me oferecer.
Eu tenho dias coloridos, dias em preto em branco, dias em que o envelhecido toma conta, mas são dias meus, são incríveis os meus dias. Supero com uma firmeza os maus amores, as minhas dores, a cicatriz que o outro deixou.
E quando eu falo em felicidade é nisso que estou falando, em mim, sabe? Não em coisas, lugares e pessoas, tudo isso se vai um dia da minha vida, mas eu não, eu permaneço minha, hoje e sempre.

Felicidade - Dara Bandeira

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Que seja eterno

Tem dias nos quais tenho uma imensa vontade de te dar tudo que eu sinto, para que você possa sentir na intensidade e no ápice dos meus dias. Para que você sofra por não me ver, por não me ter, por não ser recíproco. Para que nas mesas do café com os amigos, você só saiba lembrar de mim e de como seríamos felizes se estivéssemos juntos. Para que durante as suas noites mal dormidas, você escrevesse seu pesar, seu lamento e perguntasse ao seu amigo mais sensível o que deveria fazer. Para que as suas lágrimas fossem direcionadas, quase por completas, a mim seu maior amor. E aquelas fotografias que parecem desenhos de uma realidade, não fizessem sentindo pra você, pelo singelo motivo de eu não estar lá. Eu queria, como eu queria, que tudo que faz sentido para mim, fizesse, na mesma intensidade, pra você, meu amor.
Enquanto isso eu sinto por mim, por você, por nós... para que seja eterno, ao menos pra mim.

Que seja eterno - Dara Bandeira

quinta-feira, 25 de março de 2010

O tudo e a entrega

Toda nossa prece, toda nossa súplica e oração. Todos os nossos temores, todas as nossas dores, todo nosso ateísmo, todo nosso individualismo pagão. Tudo que nos faz sermos quem somos, tudo que diminui um pouco do que éramos antes, tudo que completa, tudo que deixamos, tudo que agregamos valor. Toda nossa fala, todo nosso gemido, todo nosso grito, toda nossa voz sem razão. Todo nosso pensamento, todas as nossas noites mal dormidas, todos nossos dias mal vividos, toda nossa esperança de um dia melhor. Tudo que queremos e sonhamos ser, sempre será nosso, até o dia que reconhecermos que é a hora de entregar, de não nos preocuparmos com que há de vir.Enquanto isso espero, ansiosamente, pelo meu dia.

O tudo e a entrega - Dara Bandeira

domingo, 14 de março de 2010

Aliviar

Hoje tente aliviar, meu caro.E eu não falo de aliviar a dor de dente, ou quem sabe a dor de estomago que te faz até parar de pensar.Falo de aliviar o fardo, de suavizar o peso que temos medo de largar.Temos medo de desamarrar o que nos prende, afinal, nem sabemos qual dos nossos fardos sustenta a nossa personalidade.Como uma terapia, uma forma de alegria, mesmo que de noite quando ninguém te vê, ou quando está de frente para o espelho, maior amigo que você pode ter, sugiro-lhe DANÇAR.
Dançar com todo o corpo, sem excluir nenhuma parte.Dançar com os olhos, dançar não só com os gestos, mas brincar com a ausência do movimento, que é também, forma bonita de expressão.Fazer disso a forma de aliviar a tensão, aliviar as dores, aliviar aquela culpa, aliviar simplesmente, entende?Sem medo de deixar para trás.Imitando o vai e vem da vida, imitando as voltas que ela dá. Imite, sorria bonito, cale aquela vontade, seja mais leve, expresse-se.Acredite que pode ser mais mesmo abrindo mão do que ficou para trás.Religue-se somente ao que foi bom e como um prato de sobremesa, deguste do prazer que é fazer da dança, uma forma de aliviar.

Aliviar - Dara Bandeira

quinta-feira, 11 de março de 2010

Expectativas

Horas de conversas sensatas, horas sorrindo com tanta verdade, largando de lado toda dúvida, todo temor e insegurança. É como se o tempo parasse ali, naquele instante, é como se nada em volta fizesse mais sentido, a sua companhia na verdade era o sentido, a razão e o que eu queria. Eu juro que eu tentei, eu deixei que sentimentos fossem criados, eu deixei meu coração gostar novamente, querer bem novamente, eu deixei. Mas acho que houve ruído na transmissão da mensagem, acho que nada foi compreendido como deveria ter sido, eu tola mais uma vez esperei demais e todos sabem que o segredo é não esperar por nada, só assim as nossas expectativas serão superadas e poderemos sorrir ao final dia. Não quero dizer que hoje, noite de quente de janeiro, eu não esteja sorrindo, mas não é o mesmo sorriso de sempre, é como um sorriso de quem se conforma e diz que foi bom enquanto durou. E aquele mesmo sol que derreteu todo o gelo que existia em mim, foi o que me secou por dentro.

Expectativas - Dara Bandeira

terça-feira, 9 de março de 2010

Cartas que eu não mando

Sei que cartas não estão mais na moda, mas desde quando nos importamos com moda, não é mesmo? Éramos o casal mais ‘démodé’ na nossa juventude, diria até um tanto vanguardista.
Para ser sincera escrevo para contar as novidades, dizer que o Noah cresce assustadoramente e que, por enquanto, não planejo mais filhos. Para dizer que perdi minha mania de cantar músicas indies antes de dormir, mas que ainda durmo de meias no inverno. As suas cartas, seus poemas, nossas músicas... Eu ainda guardo em uma caixa e relembro de vez em quando.
Escrevo para dizer que sinto saudade do seu perfume doce, dos seus livros empilhados na estante, das suas surpresas no fim da tarde. Ainda lembro de você todo dia 22, lembro que todos os meses, nesse dia, eu recebia flores amarelas que desfaziam qualquer mal entendido.
Peço perdão se está dando a entender que estou querendo invadir sua vida outra vez, mas é que tivemos momentos tão bonitos e até hoje sinto muito por ter te perdido. Lembro perfeitamente que foi em você, aquele menino desajeitado, que eu me encontrei. Escrevo só para agradecer, e ao mesmo tempo lamentar.

Cartas que eu não mando - Dara Bandeira