domingo, 8 de abril de 2012

Sobre Páscoa

Pra quem tem família, aproveite o almoço de Páscoa. Pra quem tem religião, comemore a passagem, cante, faça jejum, não coma carne, grite, louve, deseje o bem. Pra quem é 2.0, deixe recado falando sobre a Páscoa e sobre o amor. Mas se for família, seja em todos os outros dias. Se for religião, agradeça todos os dias. Se for amor, cultive todos os dias. Porque não há nada mais triste do que uma vida forjada. Moldada por datas comemorativas. Ame sempre, sempre. Eu poderia só ter dito Feliz Páscoa, mas sei lá, é sempre bom lembrar dos outros 364 dias.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em que tipo de Deus eu acredito

"No final das contas, o que hoje penso em relação a Deus é simples. E assim: tive uma cadela maravilhosa. Ela havia sido abandonada. Era uma cruza de cerca de dez raças diferentes, mas parecia ter herdado as melhores características de todas elas. Ela era marrom. Quando as pessoas me perguntavam "De que raça é a sua cadela?", eu sempre dava a mesma resposta: Ela é marrom." Da mesma forma, quando me fazem a pergunta "Em que tipo de Deus você acredita?", minha resposta é fácil: "Acredito em um Deus grandioso."

domingo, 1 de abril de 2012

Em alguns casos, só em alguns, minta

Convencionou-se o dia da mentira, ok. Assim como qualquer outro dia que ninguém procura saber o sentido, mas faz uma piada sobre, prega uma peça, faz uma matéria de comportamento e coloca na revista de domingo. Estando ou não no calendário, sendo ou não feriado nacional, convencionou-se. Nada mais justo do que parar pra pensar sobre o assunto, então.

Confesso que, eventualmente, minto. Daquelas mentiras que julgamos não fazer mal a ninguém. Aquela clássica de responder ‘estou chegando’, quando ainda se está em casa ou longe do destino. (Nesse momento aproveito para pedir perdão pelos meus atrasos e mentiras, rs). Aquela outra de responder ‘tudo ótimo, e você?’. Eu fico pensando que são respostas que servem pra minimizar as consequências.

Observe a cena: Passo pela rua, andando às pressas pra pegar um ônibus qualquer (desconsidere a greve só por hoje). Daí passa um ser que não vejo desde a minha formatura da oitava série, e pergunta, só por educação: ‘Tudo bem, querida?’. Imagina se eu fosse falar a verdade. ‘Tá tudo mais ou menos, o trabalho tá bom, mas a faculdade tá um saco. Ah, eu to com uma cólica dos infernos e isso me lembrou que preciso ir ao médico pra ver meus ovários. Mas to sem tempo até pra comer. É, emagreci por isso. E .......’ Nesses casos, minta. Por favor

Na verdade, poderia enumerar vários estilos de mentiras e de mentirosos. Tenho amigos que são ótimos, criam histórias com uma facilidade que costumo dizer que Manoel Carlos deve intensificar os cursos de especialização na área. Outros criam histórias que nem eles seriam capazes de acreditar. São criativos, caricatos, arriscaria dizer que algumas histórias têm até um quê de ficção. Tenho alguns que vivem numa mentira eterna. Ele finge que é verdade e eu juro que acredito. Dois mentirosos.

Mas tenho orgulho dos meus amigos, porque eles podem mentir de vez em quando, mas eu minto também. Eles sustentam meus personagens, quase todos os dias. Dão força, acham graça. São expectadores da minha dramaturgia, digamos assim. Não teria a menor graça sem eles. Não estou dizendo que sou uma mentira, não isso. Só estou dizendo que você pode acreditar no que vê, mas o que você vê pode não ser verdade.

Não apele tanto pela verdade, porque se achasse alguém que te fala a verdade sempre, com certeza não o suportaria. Principalmente quando você fala: ' To chato hoje, né?' ou 'Ai, acho que engordei'.



Boa semana.

Feliz dia da mentira.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Essa tal liberdade

Hoje fui a um café cumprir meu ritual das segundas. É isso, tenho um ritual as segundas! Além de escrever para o ‘Segunda-feira eu recomeço’ eu costumo tomar café, em um café perto do meu local de trabalho. Afinal, em casa é algo muito improvável, são atrasos demasiados, são poucas horas para viver a manhã.

O rapaz, com aparentemente 32 anos, dizia a outro cliente: ‘ Mas aquela esposa do Walter não dá folga a ele, ela não deixa o cara respirar, meu irmão. É por isso que eu não caso, quero a minha liberdade. Eu casei mesmo foi com isso aqui, com meu comércio. Deus me livre mulher atentando minha vida.’ Juro que no momento eu pensei... ‘ Meu Deus, por que expor tanta fragilidade e insegurança em uma frase só?’ Vivemos em um país repleto de liberdade, é um tal casar e separar sem fim. Vivemos no melhor destino gay do país, com direito a selo de condecoração e o cacete. Temos milhares de pessoas ‘casadas informalmente’ e não há lei que desfaça esse tipo de relação. Ser solteiro não é mais, necessariamente, sinônimo de estar sozinho.

Agora, haja paciência para ouvir papinho de homem solteiro convicto, bancando de superior. E outra, peço paciência para aguentar as mulheres que afirmam que homem nenhum presta, mas caem de amores pelo primeiro bonitinho rico que aparecer.

Deixa cada um ser o que quiser ser, deixa cada um se submeter ao que quiser. Mas não me venha com discurso machista/feministas. Somos todos livres, não é isso que andamos pelas ruas falando? É uma liberdade vigiada, contestada, concordo. Mas é uma libertinagem, ops, uma liberdade como nunca vimos antes no mundo. Agora me diz: dar satisfação para as outras pessoas é sinal de liberdade? Gritar aos sete ventos que é solteiro e convicto é liberdade? Se for para respeitar, submeter e dar explicação, que seja a alguém que gosto, porque o rapaz da mecânica especializada que vigia a vida dos outros, não se encaixa nesse perfil. E as pessoas que acompanham a sua vida nas redes sociais, mocinha, sempre vão ver a sua contradição quando você aparece apaixonada, dizendo ter achado o homem da sua vida. Chego à conclusão de que liberdade não é pra quem quer, é pra quem pode.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Nossas Urgências

Fico um tanto preocupada quando percebo que nós temos uma mania de viver apenas as nossas próprias urgências. Nossos problemas são sempre os mais complicados. Nossos desamores, nossas dores, nossos conflitos familiares ou até mesmo os nossos conflitos interiores, são sempre os mais importantes. Como às vezes é difícil ouvir uma história até o fim, como é complicado nos compadecermos da dor das outras pessoas. Nos comovemos só com os absurdos ocorridos do outro lado do mundo, contudo, esquecemos que existem absurdos, aparentemente menores, na vida de um alguém tão próximo. Dizer coisas bonitas e comoventes pode ajudar. Escrever, compor, cantar, dançar, sair, chorar... Tudo isso talvez ajude também. Mas, a forma mais bonita de ajudar, seria nos desapegarmos de tudo que é nosso e ceder, antes de palavras escritas ou faladas, um minuto das nossas vinte quatro horas diárias para amar a vida de uma outra pessoa. Não digo amar na euforia de um momento bonito. Digo amar, sem motivos tão óbvios, sem pressões de datas comemorativas e momentos que parecem encaixar um ‘ Eu te amo’.

Não sei mais se existe um jeito certo de fazer e sentir as coisas, não sei se existe um jeito certo de demonstrar carinho por uma outra pessoa. Não sei se existe uma maneira menos dolorida de dizer que existem urgências acontecendo e elas não são as nossas. Só sei que hoje parei alguns minutos do meu dia, um tanto corrido, e pensei com tanta força sobre isso. Esse nosso egoísmo exacerbado, essa nossa falta de altruísmo, essa nossa falta de entrega, de doação. Hombridade, já ouviram falar sobre essa palavra? Já olharam no dicionário o significado? Prometo que vale muito a pena. Deveria ser pré-requisito para vida o exercício da hombridade, sabe? Uma vida doada, ainda que não pareça, torna tudo tão mais fácil pra quem recebe, mas, sobretudo, pra quem entrega.



‘E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida.’

segunda-feira, 19 de março de 2012

Aos Meus

Não me surpreende nada que os amigos signifiquem tanto em minha vida. Cada um, a sua maneira, são essenciais para que eu continue, apesar dos pesares todos. E eu faço questão de dizer isso, seja através de textos ou de qualquer outra forma. Eu sinto necessidade de comunicar o quanto cada um é importante.

Eu li certa vez, que um talo de girassol não suporta o peso da flor. Estranho, né? Logo o talo, que está ali pra dar suporte e firmeza, não aguenta a flor. Ele, que é do mesmo gene, da mesma família... Ele não suporta o peso da flor. Pensando nisso, acho que podemos usar como metáfora pra vida.

Às vezes, pra quem está mais próximo, pra quem tem ligação sanguínea conosco, aqueles que foram criados para nos dar suporte, eles não conseguem a aproximação que os amigos conseguem. Talvez as mães vão dizer ‘sou amiga da minha filha’, mas todos nós sabemos o quanto é importante se sentir amado por alguém, um alguém que não tem motivos óbvios para nos amar, respeitar, ajudar, suportar, mas, mesmo assim, o fazem.

Eu leio esses textos clichês sobre a importância da amizade, o entendimento dos ciclos, os possíveis desencontros, as mudanças de interesses, as brigas e nada me faz mudar de pensamento. Parte do que eu sou, devo a cada um dos meus amigos que me ajudaram muito, quando nada parecia dar certo. Ou, quando tudo era muito bom e brindávamos à vida, aos amores, ao dinheiro, e a todas as coisas boas que poderíamos ter.

Talvez daqui quatro ou cincomeses, os e-mails não sejam tão rotineiros, as ligações menos ainda, as visitas se tornem mais eventuais, mas, ainda assim, as marcas que cada um deixou em mim vão ficar. A maneira de falar sorrindo, a maneira de enxergar a vida, a forma de acreditar que o amanhã é logo ali. Tudo isso, independente de qualquer coisa, vai permanecer. E são por todas essas marcas que eu os julgo preciosos, amados, queridos, bússolas, presentes de Deus. Obrigada por mais um ano. Obrigada por me fazerem acreditar na beleza da vida, no amor das pessoas e, sobretudo: obrigada por acreditarem em mim.

Com todo amor de sempre,

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A vida dos Outros

Fico chocada com o número de pessoas que gostam de se intrometer na vida das outras. Gostam de opinar sobre o carro novo que a vizinha comprou, sobre o amigo da vizinha que só aparece quando o marido dela não está, sobre o fato da vizinha estar saindo em horários alternativos. A ex melhor amiga parece que está bem de vida, trocou o namorado que cheirava a leite por um de meia idade, que já sabe o que quer.
A menina do consultório médico frequenta a ‘The Week’, vejam só. E o médico, chefe da menina do consultório, não usa mais aliança, só ficou a marca no dedo, causada pelo sol castigador do Rio de Janeiro. A menina que freqüentava a igreja você vê no Steak House da esquina conversando com aquela gente, aquela gente que você sabe, né? Não presta, nenhum deles presta. Ela era tão direita, como mudou assim?
Você não entende como pode ter tanta gente errada numa cidade só, né? Tanta gente que era do bem e agora está aí, perdido nesse mundão. Tanta gente que era padrão, tanta gente boa, gente honesta.
Honestamente? Te explico o que aconteceu, querida. Todos eles descobriram que ser feliz é o melhor remédio. Decidiram viver. Eles resolveram que não vão dar satisfação da própria vida pra ninguém. Eles se deram conta de que no fim do mês, quando a mensalidade do colégio das crianças chegar ou quando o plano de saúde vencer, você não vai querer participar com tanta veemência assim, não é mesmo? E a melhor de todas as descobertas que eles fizeram e você não, é que a vida é muito curta, não dá para viver mais de uma. Então decidiram que viver intensamente a própria vida é, seguramente, a melhor maneira de se viver.